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capítulo 04
Em Jacarezinho, o carnaval sempre impulsionou comunidades negras, terreiros, grupos de capoeira e escolas de samba a ocupar a rua com ancestralidade (Santos, 2024).
As manifestações trazem para o centro da cidade aquilo que a história oficial empurrou para a margem.
Descrição colagem: A imagem mostra um cortejo carnavalesco com diversas pessoas em diferentes planos. Em primeiro plano, aparecem duas pessoas negras adultas (uma mulher e um homem) lado a lado, destacadas por um contorno vermelho irregular. Ambas vestem trajes carnavalescos claros; uma delas utiliza uma vestimenta mais ajustada ao corpo, com brilho, enquanto a outra apresenta roupa mais solta e adornada, com elemento na cabeça. As posturas corporais indicam movimento e performance, com braços elevados e corpo levemente inclinado. Ao fundo, há um grande grupo de pessoas negras, organizadas como bateria de escola de samba, segurando instrumentos de percussão. A rua está cheia, com corpos distribuídos ao longo do espaço urbano, sugerindo um desfile coletivo.
Nas décadas de 1970 e 1980, havia cerca de vinte casas de axé na cidade; hoje, menos da metade permanece (Santos, 2024).
Racismo religioso e racismo ambiental contribuíram para esse encolhimento. (Fonseca, 2025).
Mesmo assim, o axé segue como um dos guardiões da memória negra local.
Descrição colagem: A imagem mostra mulheres negras adultas participando de um desfile ou apresentação carnavalesca. Elas vestem saias amplas e rodadas, roupas claras e utilizam adornos corporais como colares, contas e brincos. Algumas apresentam arranjos ou turbantes na cabeça. Os corpos estão em movimento, com saias abertas pelo giro da dança e braços afastados do corpo. Em primeiro plano, uma mulher negra aparece parcialmente destacada por um contorno vermelho, enquanto ao fundo outras mulheres formam um conjunto coletivo, todas dançando. A cena sugere ação simultânea e coordenação entre os corpos. Provavelmente é uma ala carnavalesca conhecida como ala das baianas.
O samba-enredo de 2025 da Acadêmicos Capiau "Jacarezinho Preta, uma história não contada" (Santos; Dias, 2025) marca o reconhecimento ancestral da cidade.
Na avenida, a memória negra não é alegoria: é arquivo público.
Ali a cidade que sempre foi negra se revela.
Descrição colagem: Nesta imagem, observa-se um grande grupo de pessoas negras adultas reunidas em torno de instrumentos de percussão. Muitos corpos aparecem sem camisa ou com roupas leves, em uma formação típica de bateria carnavalesca. Os braços estão erguidos para tocar os instrumentos, e os corpos se encontram em movimento, sugerindo ritmo e ação contínua. A cena é densa, com pouca individualização: as figuras se sobrepõem, formando uma massa coletiva. Ao redor, outras pessoas acompanham o desfile, compondo uma multidão que ocupa toda a largura da rua.
BENTO, Cida. Pacto da Branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
FONSECA, Andrei Domingos Fonseca. Relatório de pesquisa. CNX Produções, 2025.
ROSSI, Celso. Acervo Celso Rossi. Museu UENP. Disponível em: https://museu.uenp.edu.br/acervo-celso-rossi/photo20180910175645.html. Acesso em: 17 dez. 2025.
SANTOS, James Rios de Oliveira. A cidade e os terreiros: memórias de encruzilhadas. In: SANTOS, James Rios de Oliveira; TANNO, Janete Leiko; VALE, Rosiney Aparecida Lopes do (org.). Memórias múltiplas do cotidiano: trabalho, religiosidade e lazer na região Nordeste do Paraná (séculos XX e XXI) [recurso eletrônico]. Jacarezinho, PR: Editora UENP, 2024. p. 41-79. Disponível em: https://uenp.edu.br/editora-docs/livraria/29201-memorias-multiplas-do-cotidiano-trabalho-religiosidade-e-lazer-na-regiao-nordeste-do-parana-seculos-xx-e-xxi/file.html. Acesso em: 15 ago. 2025.
SANTOS, James Rios de Oliveira; DIAS, Pedro Henrique. Jacarezinho Preta: uma história não contada. Intérprete: Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba (GRACES) Acadêmicos Capiau. 2025. Samba-enredo. Disponível: https://www.youtube.com/watch?v=Tm_jDFXxhso&t=61s. Acesso em: 22 dez. 2025.
SANTOS, James Rios de Oliveira; GOULART. Ana Caroline. Jacarezinho Preta: uma história não contada. Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba (GRECES) Acadêmicos Capiau. 2025. Enredo.
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capítulo 05
REFERÊNCIAS

Enquanto a população negra insiste em reconstruir sua própria história, nos terreiros, nas rodas de capoeira, nas escolas de samba, há um outro movimento silencioso.
Pesquisadores brancos, muitas vezes se apropriam dessas memórias para se declarar "pioneiros" da pesquisa sobre ancestralidades negras que construíram a cidade.
Descrição colagem: A imagem apresenta, à direita, um grupo de homens adultos, posicionados sobre uma estrutura elevada. Vestem roupas claras, semelhantes a uniformes ou trajes de trabalho. Os corpos estão em pé, com posturas rígidas e estáticas, alguns com braços apoiados ou levantados. O olhar das figuras se dirige para fora do enquadramento. À esquerda da composição, aparece apenas um símbolo gráfico de uma cobra com o nome “Brasil” acima sem presença de figuras humanas. A disposição espacial destaca os corpos masculinos em posição elevada, separados do nível da rua.

Esse movimento repete a lógica denunciada por Cida Bento (2022): o pacto narcísico da branquitude, que mantém privilégios ao controlar o que é dito e por quem é dito.
Ao recontar a história negra como se a tivesse "descoberto", o pesquisador branco reencena o pioneirismo que já moldou a narrativa oficial de Jacarezinho.
Mas paremos aqui. Afinal, falador passa mal como diria Os Originais do Samba!
Descrição colagem: A imagem é composta por duas partes. À esquerda, vê-se um grupo de crianças em um cortejo. As figuras vestem fantasias variadas, com tecidos, camadas e adereços como de indígenas, e caminham juntas, formando uma procissão. Os corpos estão inclinados para frente, sugerindo deslocamento e continuidade do movimento. À direita, há um meme da Barbie (boneca loira) dizendo “somos todos iguais”.

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