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capítulo 05

Na pesquisa inédita de Bruna Sedassari (2025) o Bairro Marques dos Reis - às margens do Paranapanema - aparece citado com um apelido usado há decadas: "o bairro onde moram as famílias do Japonês Preto".

Esse nome não surge por acaso: é um rótulo fenotípico usado para evitar dizer a palavra proibida: indígena.

Descrição colagem: Em primeiro plano aparece um homem adulto, em pé, voltado para a câmera, usando paletó escuro, camisa clara e calça clara, com o corpo destacado por contorno vermelho. Ao fundo, vê-se a estação ferroviária de Marques dos Reis. À direita da estação, há um pequeno grupo de pessoas adultas reunidas, posicionadas ao fundo da cena, sem individualização.
 

A pesquisa mostra que muitas famílias da região são remanescentes Guarani Nhandewa, há gerações vivendo ali, mas sem uma comunidade tradicional, sem reconhecimento oficial e muitas vezes escondendo sua própria origem.

Os mais velhos recusavam-se a falar o passado, porque acreditavam estar protegendo filhos e netos contra violências disparadas em desfavor de corpor originários.

Descrição colagem: A colagem reúne figuras humanas em ambiente rural. À esquerda, uma mulher adulta com um saco acima da cabeça aparece em primeiro plano, segurando um objeto. Ao centro, uma figura montada a cavalo, usando chapéu. À direita, uma mulher adulta segura uma criança no colo. Ao fundo, observa-se uma construção simples de madeira.

Ao substituir "indígena" por "Japonês Preto" Jacarezinho produz racismo linguístico, apagamento étnico e uma memória pública onde a presença indígena parece não existir. 

Mas ela está ali, viva, organizada em famílias, histórias e vínculos profundos com o território.

Se a presença indígena sempre esteve no bairro, na margem do rio, nas histórias dos mais velhos, quem decidiu que essa história não deveria ser dita. Quem incutiu o terror ao ponto de essa identidade ser ocultada pelos mais velhos? E por quê? 

 

Descrição colagem: A imagem mostra dois adultos e uma criança em frente a uma cerca de madeira. Os adultos estão em pé, um de cada lado, usando roupas simples e chapéus. A criança está ao centro. Presos à cerca, aparecem peixes pendurados verticalmente. Ao fundo, vê-se uma elevação de terra.

SEDASSARI, Bruna Helena Fonseca da Silva. Relatório autoetnográfico de pesquisa. CNX Produções, Jacarezinho, 2025.

ROSSI, Celso. Acervo Celso Rossi. Museu UENP. Disponível em: https://museu.uenp.edu.br/acervo-celso-rossi/photo20180910175645.html. Acesso em: 17 dez. 2025.

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ficha técnica

REFERÊNCIAS

Adendo: Embora oficialmente Marques dos Reis seja tratado pelo poder público municipal como Distrito, registra-se que, tanto no uso popular quanto em registros e referências de outros órgãos oficiais, como o IBGE, o território ainda é frequentemente denominado como bairro, o que fez com que adotássemos o termo na pesquisa.

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